23
Jun 07

A Vida de 'Ali

 

    Ali R.A. era primo e genro do Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele), mais do que isso, ele havia sido criado na casa do Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele), mais tarde, casou-se com Fátima, a filha mais nova do Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele), e permaneceu próximo dele por cerca  de  trinta anos.


    Ali R.A. tinha dez anos quando a mensagem chegou até o Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele), uma noite ele viu o Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele) e sua esposa Khadija, curvando-se e prostrando.


    Ele perguntou ao Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele) o que significava aquilo e o Profeta lhe disse que estavam rezando a Deus e que ele poderia também aceitar o Islam, Ali R.A. respondeu que gostaria primeiro de perguntar a seu pai a respeito da conversão.


    Ele passou uma noite sem dormir e na manhã seguinte dirigiu-se ao Profeta e disse:


"Quando Deus me criou ele não consultou o meu pai, portanto, porque deveria consultá-lo para servir a Deus?"


    E aceitou a verdade da mensagem do Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele) quando a ordem divina chegou "E admoesta os teus parentes mais próximos" (Alcorão Sagrado26:214), Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele) convidou os seus pais para uma refeição. Quando terminou, dirigiu-se a eles e perguntou:


"Quem se juntará a mim pela causa de Deus?"


Por um instante, houve um silêncio completo e então Ali R.A. levantou-se.


"Sou o mais jovem de todos os presentes aqui, os meus olhos incomodam-me porque estão inflamados e as minhas pernas são finas e fracas, mas juntar-me-ei a ti e te ajudarei no que eu puder."


    Os presentes riram dele, mas, durante as difíceis guerras em Makkah, Ali R.A. permaneceu fiel às suas palavras e enfrentou todas as dificuldades a que foram submetidos os muçulmanos.


    Quando os coraixitas planejaram matar o Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele), foi a Ali R.A. que encontraram dormindo na cama do Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele), foi a ele que o Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele), ao deixar Makkah, confiou os valores que estavam sob sua custódia para serem devolvidos a seus legítimos donos.


    Ali R.A. lutou em todas as batalhas no início do Islam com grande distinção, especialmente na expedição a Khaybar, diz-se que na batalha de Uhud ele recebeu mais de dezasseis ferimentos.


    O Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele) tinha muito carinho por ele e chamava-o por diversos nomes afetuosos, certa vez o Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele) encontrou-o dormindo na poeira, ele escovou as roupas de Ali R.A. e disse carinhosamente; "levante-se Abu Turab (pai do pó)" também tinha o título de ''Asadullah'', o leão de Deus.


    A humildade, austeridade, piedade, profundo conhecimento do Alcorão Sagrado e toda a sua sagacidade deram-lhe grande distinção entre os companheiros do Profeta Muhammadsaws2.gif (1107 bytes) (que a Paz e a Bênção de Deus estejam com ele).


    Abu Bakr, Umar  e Usman R.A. costumavam consultá-lo frequentemente durante seus califados, muitas vezes Umar R.a. o indicava como o vice-gerente em Madina quando se ausentava da cidade.

 

    Ali R.A. também foi um grande exegeta da literatura árabe e pioneiro no campo da gramática e da retórica,  os seus discursos, sermões e cartas serviram por gerações como modelo de expressão literária apesar dessa personalidade versátil, permaneceu um homem modesto e humilde.


    Ali R.A.e os seus familiares viveram uma vida extremamente simples e austera algumas vezes passavam fome por causa da generosidade de Ali (que Deus esteja satisfeito com ele) e ninguém que pedisse por socorro ficava de mãos vazias, e não mudou, mesmo quando se tornou o governante de um vasto domínio.

 


Ali Ibn Abu Talib

 

O Quarto Califa
 
(656-661)

Introdução

A Eleição de Ali


    Depois do morte de Usman R.A., o cargo de califa ficou vago por dois ou três dias, muitas pessoas insistiam em que Ali R.A. deveria assumir a função, mas ele sentia-se perturbado pelo facto de que as pessoas que o estavam a pressionar eram os revoltosos e, por isso, ele recusou de início, quando os companheiros do Profeta insistiram com ele para que aceitasse, acabou por concordar.

 


17
Mai 07
De 17 a 20 de Maio, a vila alentejana de Mértola volta a ser a capital do Islão em Portugal. Num momento em que a tese do "conflito de civilizações" perde terreno, devido aos desastres do Iraque e do Afeganistão, o diálogo e o conhecimento mútuo ganham visibilidade nas ruas de Mértola, transformadas numa medina típica de uma cidade mediterrânica. É o quarto festival islâmico que toma conta da vila-museu. Sobre o festival e as novas iniciativas do Campo Arqueológico de Mértola, o Esquerda conversou com o arqueólogo Cláudio Torres.

Em Dezembro de 2001, era inaugurado o museu Islâmico de Mértola, que passou a exibir as melhores peças de arte islâmica descobertas nas escavações de mais de 20 anos do Campo Arqueológico. Desta vez, a inauguração é do Centro de Estudos Islâmicos e do Mediterrâneo. "Abrimos novas portas, num momento em que o outro lado do Mediterrâneo é fundamental para a Europa", explica Cláudio Torres. "Este centro pode ser um pivô muito importante nesta aproximação."

O centro vai ter uma biblioteca especializada em estudos islâmicos de cerca de 25 mil volumes - que contou com a doação da biblioteca pessoal de José Mattoso -, um espaço para exposições temporárias - onde vai ser inaugurada, no mesmo dia, a mostra "Mértola, o último Porto do Mediterrâneo", de Santiago Macias -, e as instalações do próprio Campo Arqueológico de Mértola (CAM), que se muda de armas e bagagens para a "Casa Amarela", um edifício setecentista que foi recuperado para ser a nova sede. É aqui também que vai funcionar o mestrado de desenvolvimento local, ministrado pelo CAM em cooperação com a Faculdade de Economia da Universidade do Algarve.

Em Outubro, vai arrancar o novo mestrado em Civilização Islâmica, também em colaboração com a Universidade do Algarve. "Todo este processo, que já dura 30 anos, em que andámos à procura do Islão e das suas raízes, deu origem a uma equipa cada vez mais complexa. Para além da investigação, também nos virámos para o local, de certa forma para justificar diante da população o que andávamos ali a fazer", recorda Cláudio Torres. "Mas desde o início queríamos virar-nos também para a área formativa."

Nos últimos anos, o CAM reforçou contactos com outros centros do Al Ândalus com o objectivo de reforçar o trabalho em rede. O Centro de Estudos Islâmicos e do Mediterrâneo já é um fruto deste trabalho em rede. No mesmo dia da inauguração, serão assinados protocolos entre o CAM e as universidades do Algarve, de Évora, de Granada, de Manouba (Tunísia) e de Moulay Ismail (Marrocos). "O objectivo é fazer uma rede de mestrandos e doutorandos que comece a formar um corpus de investigadores que, conforme a sua especialização, possam prosseguir a sua formação em qualquer destas universidades", destaca Cláudio Torres. Por outro lado, o novo mestrado decorre em Mértola, "o que permite criar uma dinâmica cultural e formativa de um certo impacto local e nacional." Será a Mértola que se deslocarão conferencistas de Évora, de Lisboa, de Granada e de Paris. As inscrições começam no próximo mês.

Em tempos de fracasso do chamado "conflito das civilizações", as actividades do CAM apontam para a alternativa do conhecimento mútuo. "Não há outro caminho", afirma Cláudio Torres. "Só podemos dialogar com quem conhecemos. É pelo contacto que passa o conhecimento da civilização islâmica, conhecimento este que está ainda em perigo devido aos fundamentalismos dos dois lados. Mas há muita gente a procurar intercâmbio e a querer conhecer-nos."

Para além da inauguração do novo Centro, o CAM promove também no primeiro dia do Festival Islâmico uma homenagem a um dos seus fundadores, António Borges Coelho. Autor de uma vasta obra científica e literária, Borges Coelho iniciou a investigação moderna sobre o Islão. "É o nosso totem", brinca Cláudio Torres. A apresentação será feita pelo ex-reitor da Universidade de Lisboa José Barata Moura.

Para além disso, o que vai encontrar em Mértola o visitante do Festival (na última edição houve 30 mil)? "O principal é a rua, o comércio, a recriação de uma medina mediterrânica. Esta vila, às vezes mortiça, transforma-se, surge uma actividade intensíssima. É muito importante este encontro com o seu próprio passado longínquo", conclui Cláudio Torres.



Caixa 1

Escavações trazem à luz novas descobertas

Uma escavação em obras na biblioteca municipal de Mértola trouxe à luz novas e importantes descobertas na vila Museu. Os arqueólogos do Campo Arqueológico de Mértola têm procurado deter as escavações nos níveis islâmicos, ao contrário do que se fazia antes, quando se procurava principalmente o romano e se descartavam os níveis superiores. Mas há situações em que é necessário afundar mais e ir além do nível islâmico. Foi o que aconteceu desta vez. "Encontrámos muralhas do período republicano romano, e muralhas monumentais do período púnico, dos séculos IV e III a.c.. São muralhas de uma monumentalidade especial", explica Cláudio Torres. O arqueólogo assinala que já se sabia, por relatos, da importância que "o último porto do Mediterrâneo" teve no período fenício e púnico, "mas agora é palpável". As escavações estão à espera de decisões finais para a sua musealização.



Caixa 2

Exposição virtual "À descoberta da Arte Islâmica"

No final de Abril foram inauguradas as 18 exposições virtuais "À Descoberta da Arte Islâmica no Mediterrâneo" na Internet. Através delas, é possível ter acesso a 204 monumentos e 603 objectos provenientes de 14 países, entre os quais Portugal. A iniciativa é do Museu Sem Fronteiras, uma organização não-governamental fundada em 1994 e gerida com fundos europeus e verbas de 17 países-membros. Nesta exposição, pela primeira vez, "é possível ligar o objecto saqueado do Mediterrâneo e que foi metido num museu europeu com o seu lugar de origem", explica Cláudio Torres. Cada peça apresentada, em imagem que pode ser ampliada para alta resolução, pode ser admirada na Net, junto com a informação correspondente. Além disso, é possível aceder a referências históricas, como uma cronologia dos acontecimentos do respectivo país, ou de outros do Mediterrâneo, da época a que a peça pertence.

O Campo Arqueológico de Mértola foi a entidade organizadora desta exposição em Portugal. Do nosso país, pode-se apreciar o que há de mais importante da arte islâmica.
Veja o programa completo do festival
http://www.cm-mertola.pt/

Veja a porta de entrada da exposição

http://www.discoverislamicart.org/exhibitions/ISL/

fonte: http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=2793&Itemid=28

04
Mai 07
    O Homem moderno encontra-se encantado pela liberdade sexual actualmente vivida, pela possibilidade de livre relacionamento e separação e pela igualdade superficial entre o homem e a mulher, mas nós devemos colocar cada coisa no seu lugar.

    O género humano, masculino e feminino, não só é fisicamente diferente, mas também funcionalmente. O Islam só aceita esta diferença natural como um presente para a felicidade e não uma exibição artificial de igualdade ou liberdade.

    Cada pai ou mãe, irmão ou irmã tem um papel definido pessoal, familiar ou socialmente; assumindo cada um destes papeis, o indivíduo não pode disseminar o conflito na sociedade, deve ser, ao máximo, cortês, sendo agente de manutenção da paz e harmonia neste mundo.

    O Islam, também, trouxe consigo, às mulheres, seus direitos fundamentais à vida, liberdade, propriedade e dignidade, determinando o desempenho do seu papel dentro da sociedade.

    O homem não pode gestar uma criança ou, ainda, amamentá-la, nem mesmo a mulher pode gerá-la sozinha. O relacionamento entre o homem e a mulher não pode estar baseado na pura sexualidade, deve-se associar a esse elemento o respeito mútuo e o diálogo para um crescimento material e espiritual, que vise a ambos alcançar a sua plenitude como seres humanos.

    Desafiando esta natureza da criação humana, nós estaremos disseminando doenças e desordens dentro da sociedade e o Islam não só os desaprova, mas insiste ao ser humano, que permaneça dentro dos limites contidos na orientação divina. Ao contrário do adultério, o matrimónio de homens e mulheres produz o equilíbrio social. O Islam condena, assim, a promiscuidade, a lascívia e a perversão sexual e valoriza a privacidade, modéstia e castidade dentro do casamento.

    Assim, o Islam valoriza os laços de amor, compreensão e cuidados familiares, pois a célula fundamental de toda sociedade humana é a família.

    O Islam não só acredita, mas, também, garante os direitos humanos individuais, de propriedade e de consciência, pois estes direitos são adquiridos pelo indivíduo desde sua mais tenra idade e deve a sociedade observá-los e cumpri-los para estar realizando as ordens de Allah reveladas ao Seu profeta - que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele.

    A Aceitação desta orientação divina significa um benefício para toda a espécie humana. Assim por rendição própria a esta orientação, a pessoa torna-se um muçulmano, um homem ideal determinado a evitar o vício e o delito com o único intuito de estabelecer a paz, a harmonia e evitar o conflito, a opressão, a corrupção, a exploração e a discriminação dentro de sua sociedade.

    A fraternidade da espécie humana assegura os direitos de vida e liberdade nos âmbitos pessoais e coletivos, como foram especificados no Sagrado Alcorão e nas tradições do profeta - que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele.

    A   defesa destes direitos e deveres sobre a vida, propriedade, liberdade, justiça e igualdade conduziu os árabes da penumbra de um universo tribal vivido no deserto a serem respeitados nos tempos vindouros sob a patente de serem muçulmanos, indivíduos que através do Islam disseminaram a prática dos direitos humanos do Marrocos até a Índia em uma época que a Europa, distante deste modelo empírico, apenas conhecia o Anacleto legado pelos romanos e gregos.

30
Abr 07
"A ignorância sobre os outros não precisa de ser combatida com pás e picaretas"

    Um episódio marcante na minha experiência enquanto muçulmana e na relação com outros muçulmanos aconteceu enquanto estudante de Árabe na American University of Cairo. Num período em que a fractura sectária entre o povo sunita egípcio e os fatimidas xiitas ismailis ainda não se exprimira no recém-inaugurado Parque Al-Azhar, um gesto conjunto da construção de um projecto de desenvolvimento social e económico, de beleza e nobreza paisagística, fazendo da maior lixeira intratável da cidade uma área urbana bela e cobiçada, foi-me aconselhado não revelar a minha identidade religiosa.

    Contudo, dois meses longe da família e da comunidade trazem-nos às vezes renovados sentimentos de comunitarismo. Assim, numa tarde em que despertei de uma sesta sob o calor do Verão intenso e que fui lavar a cara, uma muçulmana perguntou-me se me preparava para a oração da tarde. Não sendo minha tradição a prática da oração da tarde em congregação, não achei mal. Aliás, achei até que seria um bom motivo para estreitarmos os nossos laços de fé. O resultado deste possível "encontro" foi desastroso para mim e frustrante e confuso para a jovem muçulmana. Tudo correu mal do ponto de vista das formalidades práticas. Fiz as abluções no "sentido inverso" de como "se devia"; os membros foram lavados na ordem trocada; o lenço que usei não era o mais apropriado; os braços descobertos... requeriam um; e, no fim de tudo, quando me prostrei e pedi auxílio ao todo-poderoso para me acompanhar generosa e benevolentemente naquele que era o dia mais difícil para mim como crente, o meu vestido da Dorothy Perkins, que era o mais comprido que havia para trazer para estas bandas do pudor, abriu-se no meio das pernas deixando ver as minhas pecaminosas coxas! Depois de todo este desaire, a moça perguntou a uma colega de curso, que era tão ismailita quanto eu, há quanto tempo me tinha convertido ao Islão.

    Lamentei que naquele dia nada lhe tivesse contado sobre as maravilhas que encontro nos meus cânticos devocionais muçulmanos de origem indiana, ou das danças e músicas afro-indianas que celebramos em épocas festivas. Lamento ainda que o nosso conhecimento se tenha resumido a preconceitos. Que a ignorância tenha fechado o caminho a uma descoberta fantástica sobre o outro, que afinal é igualmente muçulmano.

    Sempre que me refiro à ignorância que temos uns sobre os outros e às consequências negativas que o desconhecimento pode trazer na relação conflitual entre povos e nações, refiro-me não apenas ao que não se conhece sobre os muçulmanos, da sua história ao seu desenvolvimento civilizacional, mas sugiro aos próprios muçulmanos que fujam à tendência para a homogeneização e hegemonia da fé islâmica, excluindo toda a dimensão cultural que a fé comporta. Todo e qualquer muçulmano deve ser igual ao outro apesar da magnitude de experiências de vida e de
expressões de fé que embelezam, mais do que enfraquecem, a dimensão da vida religiosa enquanto vivida por humanos, tão diferentes como criativos na adoração ao divino.

    É esta ignorância que está na base de muitos dos actuais conflitos civilizacionais e que devemos corrigir nos nossos quotidianos - os muçulmanos sobre os outros muçulmanos, e o resto da sociedade sobre todos os que nelas estejam representados.

    Dito isto, há trabalho a fazer. A educação e de base nas escolas, mesmo laicas no nosso contexto, não deveriam excluir a possibilidade de oferecer um curriculum escolar onde a história das grandes civilizações se fizesse conhecer. Pasmo quando percebo a quantidade de interesses sobre o mundo do conhecimento que fica fora do universo escolar, dos desenvolvimentos teológicos às culturas, da filosofia às ciências, das artes, da arquitectura, da engenharia à linguística ou à história das ideias. Depois, quando os problemas do desconhecimento se levantam, e os conflitos emergem, esperamos que venha o chefe espiritual daquela gente dizer algo que os desculpe, quando, a julgar pela minha própria experiência, não sei que "chefe" pode justificar o quê num Islão tão plural e diverso como é aquele que existe hoje e desde sempre.

    A ignorância sobre os outros não precisa de ser combatida com pás e picaretas, nem fazendo escavações arqueológicas. Estas são úteis, e por isso louvo o excelente trabalho que Cláudio Torres e a sua equipa vão fazendo em Mértola e hoje exibem no museu on line anunciado pelo próprio PÚBLICO ( www.discoverislamicart.org ). Lá pelo menos podemos conceber a tal Europa de que falava Frei Bento, que não precisa de ser necessariamente um clube cristão, mas que enaltece as suas raízes não apenas judaico-cristãs, mas também as islâmicas, para além de outras. Nesta linha ideológica, também Parma, a capital italiana da Música, acolheu colecções e mostras de manuscritos e música raras do Museu Aga Khan ( www.akdn.org ) onde a fé e a cultura estão intimamente ligadas, e onde os crentes continuam integrados e não excluídos ou alienados da sua identidade.

    Para se combater a ignorância há que procurar conhecer. Há que fazer uma caminhada humilde no reconhecimento da importância do outro na formação de cada um de nós. Há que, sobretudo, escolher a literatura e as fontes, pois, como alertava Pacheco Pereira sobre a boa e a má literatura, os bons e os maus blogues, comparando--os aos quiosques e às leituras que elas disponibilizam, cabe-nos a nós escolher o que queremos ler, ver, ouvir e pesquisar.

    O mesmo se aplica às universidades ou aos orientadores que escolhemos. Há os que estão aí para passar os diplomas que passam a irreal e distorcida hegemonia e monolitismo do Islão, seja em instituições públicas ou privadas, e há os que estão aí para realmente ajudar a conhecer mais e melhor e de forma fiável porque também criticam e são rigorosos.

    O teologismo do Islão não responde a todos os desafios que as comunidades de crentes nos colocam, e muito menos oferecem respostas a situações político-económicas de estratégia internacional - para estas temos de procurar as explicações mais razoáveis e de sensatez política. No entanto, a criatividade interpretativa a que o próprio Alcorão inspira, e a leitura diversificada das suas comunidades interpretativas deixam-nos mergulhar nas profundezas de um saber que perpassa o tempo, recorda a história e aviva as memórias da convivência humana e da construção de uma ética e estética de inspiração civilizacional. Pelo que, do que precisamos mesmo, nos dias que correm, é de criar diálogos críticos sobre o conhecimento.


Estudiosa de temas islâmicos
Faranaz Keshavjee
Público, 30.04.2007

    Uma vez que o leitor se torne um muçulmano convicto e consciente, passam a acrescer-lhe outros cinco actos obrigatórios na sua adoração que determinarão em torná-lo uma pessoa íntegra.

    Alguns deles são obrigatórios e outros aconselháveis, mas ambos trarão benefícios a você e á sociedade. Mais o obrigatório é:

1. Adquirir  o conhecimento, seja você um homem ou mulher, nem que tenha que percorrer longos cursos, nem que tenha que ir até à China (se tem pode) – Ilm, em árabe.

2. Esforce-se para estabelecer a causa de Allah dentro e fora da sua vida e propriedade - Jihad.

3. Convide as pessoas ao bem e incite a desistir do mal - Da'wah.

4. procure estabelecer a justiça e paz na sociedade e ser calmo e tranquilo nas suas decisões - Adil/Aman.

5. Evite coisas ilícitas, faça uso de atitudes e posturas que são boas a você e que são indicadas no Sagrado Alcorão - Halal vs Haram.

As atitudes aconselháveis são múltiplas ações que determinarão uma melhoria na compreensão da sua existência.
Os exemplos delas são-nos apresentados no Sagrado Alcorão e nas Tradições do profeta - que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele.

Os seus deveres são aqueles que assegurarão a você e a todos seres humanos que o rodeiam direitos a uma vida digna através da liberdade, propriedade e igualdade que também determinarão recompensas nesta e na outra vida.

Cumprimentos, e bom feriado, IslamNET

28
Abr 07

No meio das trevas que envolviam o mundo, a revelação divina ecoou no vasto deserto da Arábia com uma nova, nobre e universal mensagem para a humanidade:


“Ó humanos, temei a vosso Senhor que vos criou de um só ser, do qual criou sua companheira e, de ambos, fez descender inumeráveis homens e mulheres”.(4ª. Surata, versículo 1).


Ponderando sobre esse versículo, podemos dizer que não há um texto, antigo ou novo, que trate da afabilidade da mulher, em todos os aspectos, com tão espantosa brevidade, eloqüência, profundeza e originalidade como esse decreto divino.


Acentuando essa nobre e natural concepção, o Alcorão diz: “Ele (Deus) foi Quem vos criou de um só ser e, do mesmo, plasmou a sua companheira, para que convivesse com ela...” (7ª. Surata, versículo 189).


“Deus vos designou esposas de vossa espécie e delas vos concedeu filhos e netos e vos agraciou com todo o bem.”(16ª. Surata, versículo 72).


O ASPECTO ESPIRITUAL


O Alcorão fornece uma clara evidência de que a mulher está completamente igualada ao homem, na visão de Deus, quanto aos seus direitos e responsabilidades:


“Toda alma é depositária das suas ações.” (74ª. Surata, versículo 38).“A quem praticar o bem, seja homem ou mulher, e for fiel, conceder-lhe-emos uma vida agradável e o premiaremos com uma recompensa superior ao que houver feito”. (16ª. Surata, versículo 97).


A mulher, de acordo com o Alcorão, não é responsável pelo pecado original de Adão. Ambos erraram com a sua desobediência a Deus, ambos se arrependeram e foram perdoados. (Alcorão, 2ª. Surata, versículos 36-37). De fato, num versículo (2ª. Surata, versículo 121), Adão, especificamente, é o culpado.


Em termos de obrigações religiosas tais como as orações diárias, o jejum, o Zakah e a peregrinação, a mulher não se difere do homem. Em alguns casos, na verdade, a mulher tem certas vantagens sobre o homem. Por exemplo, a mulher fica isenta das orações diárias e do jejum durante o seu período menstrual e na sua dieta pós-parto. Fica também isenta de jejuar durante a sua gravidez e quando estiver amamentando, se houver qualquer ameaça à sua saúde ou à saúde do bebê. Se o jejum posposto é obrigatório (durante o mês de Ramadan), ela pode repor os dias pospostos quando puder fazê-los. Não terá de repor as orações perdidas pelas razões acima mencionadas. As mulheres costumavam ir às mesquitas durante os dias do Profeta; e daí em diante, a oração em congregação na sexta-feira passou a ser opcional para elas enquanto é obrigatória para os homens.


Certamente, este é um toque sensível dos ensinamentos islâmicos. pois considera o fato de que a mulher pode estar amamentando seu filho ou cuidando dele, e assim torna-se incapaz de ir à mesquita na hora das orações. Leva em consideração também as mudanças fisiológicas e psicológicas associadas às funções de sua natureza feminina.


O ASPECTO SOCIAL


a) Como Criança e Adolescente.


A despeito da aceitação social do infanticídio feminino entre algumas tribos árabes, o Alcorão proibiu esse costume e o considerou um crime como outro qualquer.


“Quando a filha, sepultada viva, for interrogada: Por que delito foi assassinada?” (81ª. Surata, 8-9). O Islam exige que a menina seja tratada com amabilidade e justiça. Dentre os ditos do Profeta Muhammad (Deus o abençoe e lhe dê paz) a esse respeito, citamos os seguintes:


"Aquele que tiver unta filha e não a enterra viva, não a insultar, e não preferir o filho homem a ela, Deus o introduzirá no Paraíso”. O direito da mulher de procurar o conhecimento não é diferente do direito dos homens. O Profeta Muhammad disse: “Procurar o conhecimento é obrigação de todo muçulmano e muçulmana.”


b) Como Esposa


O Alcorão indica claramente que o casamento é compartilhado pelas duas metades da sociedade; e seus objectivos, além de perpetuarem a espécie, são o bem-estar emocional e a harmonia espiritual.  As suas bases são o amor e a compaixão. Entre os mais impressivos versículos do Alcorão a respeito do casamento, citamos:


“Entre Seus sinais estão de haver-vos criado companheiras de vossa mesma espécie para que com elas convivais; e vos vinculou pelo amor e pela piedade.” (30ª. Surata, versículo 21).


De acordo com a lei islâmica, a mulher não pode ser forçada a casar sem o seu consentimento.

Além de todas as outras provisões para a proteção da mulher no tempo de casada, foi especificamente decretado que ela tem todo o direito do desfrutar de seu dote, o que é dado a ela pelo marido, e está incluído no contrato nupcial. Tal propriedade não é transferível a seu pai ou marido.


O conceito do dote no Islam não representa nem preço real, nem simbólico da mulher, como era o caso com algumas culturas, mas é um presente, simbolizando amor e afeição. As regras para a vida matrimonial no Islam são claras e estão em harmonia com a honrada natureza humana. Em consideração à constituição fisiológica e psicológica do homem e da mulher, ambos têm direitos iguais e deveres mútuos, exceto em uma responsabilidade, a de liderança. É uma questão natural em qualquer vida coletiva, e é consistente com a natureza do homem.

O Alcorão diz:

“Elas têm direito sobre eles, como eles os têm sobre elas; embora os homens mantenham o predomínio.” (2ª. Surata, versículo 228).


Tal predomínio é representado pela manutenção e proteção. Isso se refere à diferença natural entre os dois sexos o que outorga proteção ao sexo feminino. Não implica, porém, em superioridade ou vantagem perante a lei. Assim, o desempenho da liderança do homem em relação a sua família não significa a predominância do marido sobre a esposa. O Islam dá ênfase à importância de pedir conselho e anuência mútuos nas decisões familiares.


Além dos direitos básicos da mulher como esposa, vem o direito acentuado pelo Alcorão, e intensamente recomendado pelo Profeta: tratamento amável e camaradagem. O Alcorão diz:


“Harmonizai-vos com elas; pois se as menos prezardes, podereis estar depreciando um ser que Deus dotou de muitas virtudes”.(4ª. Surata, versículo 19).


O Profeta Mohammad disse: “O melhor dentre vós é o melhor para a sua família, e eu sou o melhor dentre vós para a minha família”. Uma vez que o direito da mulher de decidir sobre o seu casamento é reconhecido, o seu direito de pedir o término de um casamento fracassado é também reconhecido. Para proporcionar estabilidade da família, contudo, e visando a sua proteção quanto a decisões precipitadas, sob tensão emocional temporária, certos passos e períodos de espera devem ser observados pelo homem e pela mulher que estão se divorciando.


c) Como Mãe


O Islam considera a amabilidade para com os pais próxima da adoração de Deus:


 “O decreto de teu Senhor é que não adoreis senão a Ele; que sejais indulgentes com vossos pais.” (17ª. Surata, versículo 23). Além do mais, o Alcorão apresenta uma recomendação especial para o bom tratamento às mães:


“E recomendamos ao homem benevolência para com seus pais. Sua mãe o suporta entre dores e dores...” (31ª. Surata, versículo 14). Uma famosa tradição do Profeta, diz: “O Paraíso jaz aos pés das mães”.


d) Poligamia


Nas leis religiosas da antiguidade, não existe nenhuma restrição quanto ao numero de esposas que um homem pode ter. Todos os profetas bíblicos eram polígamos. Até na cristandade, que se tornou sinônimo da monogamia, o próprio Jesus Cristo jamais pronunciou uma palavra contra a poligamia; por outro lado, há eminentes teólogos cristãos, como Lutero, Melancton, Bucer e outros, que não teriam hesitado em concluir pela legalidade da poligamia a partir da parábola das dez virgens, contida no Evangelho de Mateus (25: 1-12), na qual Jesus Cristo prevê a possibilidade de um homem casar-se com até dez mulheres ao mesmo tempo.


Se os cristãos não querem se beneficiar da permissão que o próprio Jesus Cristo parece ter-lhes dado, a lei não está alterada por causa disso. Isto também vale para os muçulmanos, cuja lei é, além do mais, a única da história, que expressamente limita o número máximo permissível de esposas. Circunstâncias há que podem requerer o tomar outra esposa, mas o direito é garantido, de acordo com o Alcorão, somente na condição de que o marido seja escrupulosamente equânime.


“Podereis desposar duas, três ou quatro das que vos aprouver entre as mulheres. Mas, se temerdes não poder ser equitativo para com elas, casai, então, com uma só”.(4ª. Surata, versículo três).


Na realidade, a lei muçulmana está mais perto da razão, pois ela admite a poligamia quando a própria mulher consente com tal modo de vida. O preceito não impõe a poligamia, somente a permitindo em determinados casos.

 Ela depende unicamente do consentimento da mulher. Isso se aplica tanto à primeira esposa, quanto à pretendida segunda. Seria desnecessário observar que a suposta segunda mulher pode simplesmente recusar-se a casar com o homem que já tem uma esposa; pois já vimos que ninguém pode forçar uma mulher a contrair laços matrimoniais sem seu próprio consentimento.

Se a mulher concorda em ser co-esposa, não é só a lei que deve ser considerada como cruel e injusta para com as mulheres, e como favorecedora somente dos homens. Quanto à primeira esposa, o ato de poligamia depende dela, já que por ocasião do seu casamento pode exigir a aceitação, e inserção, no documento referente ao contrato nupcial, de cláusula assegurando que seu marido pratique somente a monogamia.

 Tal cláusula é tão válida quanto qualquer outra de um contrato legal. Se uma mulher não quiser utilizar esse seu direito, não será a legislação que a obrigará a fazê-lo. A poligamia não é a regra, e sim a exceção, com vantagens multilaterais, sociais, entre outras; e a lei islâmica tem orgulho de sua própria maleabilidade.

http://islamemlinha.com/revista/index.php?option=com_content&task=view&id=40&Itemid=1

24
Abr 07
Há muitos anos, um Imám mudou-se para Londres. Nesta cidade, sempre
>>que queria deslocar-se de casa para a mesquita, ele pegava um táxi.
>>
>>Passado algumas semanas, teve a ocasião de pegar o mesmo táxi.
>>
>>Depois de sentar-se, lembrou-se que na ocasião anterior, o
>>motorista deu-lhe, acidentalmente, 50 centavos a mais no troco.
>>
>>Enquanto decidia o que fazer com o dinheiro, pensou: “É melhor eu
>>devolver os 50 centavos, pois não é correto mantê-los comigo”.
>>
>>Depois pensou: “Ah! São só 50 centavos. Quem irá se preocupar com
>>esta quantia insignificante? De qualquer modo, a empresa de táxi
>>tem muitos outros bilhetes e nunca sentirá a falta desta pequena
>>quantia. Acho que devo aceitá-la como uma dádiva de Allah e ficar
>>quieto”.
>>
>>Mas quando chegou ao local de destino, o Imám parou momentaneamente
>>na porta do táxi, tirou os 50 centavos e devolveu-os ao motorista,
>>dizendo:
>>
>>“Eis aqui o troco que me deste a mais noutro dia”.
>>
>>O motorista respondeu com um sorriso:
>>
>>“Tu não és o líder da mesquita muçulmana? É que ultimamente venho
>>sentindo em meu coração o desejo de visitá-lo em tua mesquita e
>>pedir que me ensine a tua religião, só que antes eu queria saber o
>>que tu farias se eu te desse algum valor que não te pertence”.
>>
>>Quando o Imám desceu do táxi, os seus joelhos se enfraqueceram e
>>mal conseguia ficar de pé.
>>
>>Teve que alcançar um poste a fim de se apoiar.
>>
>>Depois, olhou para o céu e chorou dizendo: “Ó Allah! Hoje eu quase
>>vendi o Islam por apenas 50 centavos!”.
>>
>>PS: Muitas vezes, não percebemos o impacto que as nossas ações
>>podem causar. Às vezes, nós representamos o único conhecimento do
>>Qur’án que as pessoas “lêem” ou o único muçulmano que os
>>não-muçulmanos vêem.
>>
>>O que devemos providenciar, Inshá-Allah, é um exemplo correto que
>>os outros possam ver em nós.
>>
>>Por isso, devemos ter todo o cuidado e sermos honestos a todo o
>>momento, porque nunca sabemos quem está a reparar nas nossas ações.

     O Homem não é somente mortal, mas também erra. Tempo, espaço e experiência, também, limitam seu conhecimento e poder de julgamento. Ele não controla o seu próprio nascer ou morte. Ele não pode, nem mesmo ver o que está atrás de uma parede ou em seu futuro.

    Ele nasce com inteligência sobre sua livre vontade, sendo responsável por suas próprias atitudes no decorrer de sua vida. O afortunado beneficia-se do conhecimento e orientação, mas outros se encontram mergulhados na escuridão e miséria.


    A orientação pode vir do próprio homem ou ser de nível metafísico. A orientação de um homem de limitados poderes ou recursos em seu conhecimento é por si mesma limitada e imperfeita. Só a orientação de um poder eterno soberano é segura e verdadeira.

    Deus, o Soberano, guia o homem através de Seus Profetas e Livros para o benefício de todo o gênero humano. O homem deve aprender sobre estes Profetas e a mensagem por eles trazida, para saber sobre a Verdade e os modos de praticá-la. Esta é a orientação divina e eterna que se contrapõe à orientação do mortal e limitado ser humano.

    Os profetas são homens mortais, que são inspirados por revelações divinas, estas lhes são enviadas pelo próprio comando divino em idades diferentes, lugares e para diferentes indivíduos, como sinal de amor e misericórdia com todas as criaturas.

Seguramente livros e profetas foram enviados a pessoas na Ásia, África, Europa, América e todos os outros povos, mas foram perdidas ou corromperam-se em nossa história nestes milhares de anos em que se conta a existência humana sobre o planeta.

    Esta orientação passou pelo primeiro profeta e homem, Adão, continuou por Noé, Abraão, Moisés, Davi, Jesus e Muhammad (que a paz de Deus esteja sobre eles) e, também, por muitos outros profetas, no entanto, por nós desconhecidos.

Mas a mensagem de orientação de forma final e completa, a todo o gênero humano, constituiu-se através de Muhammad (que as bênçãos e a paz de Allah estejam sobre ele), o último profeta, em um último livro final, preservado e não corrompido, o Sagrado Alcorão.

IslamNet

23
Abr 07
Portugal não passava de um território "marginal" do grande Al-Andalus e é por isso não temos mesquitas imponentes como a de Córdova nem palácios sumptuosos como Alhambra. Mas temos os castelos de Lisboa (São Jorge), Moura e Paderne, a vila de Sintra, as muralhas de Silves ou de Évora e até a igreja/mesquita de Mértola. Para não falar dos objectos de uso quotidiano, de várias culturas agrícolas e técnicas de construção ou das palavras que representam 20% da língua que falamos. E é por isso que Portugal é um dos 14 países que integra o museu virtual "à Descoberta da Arte Islâmica".

Lançado ontem na Internet - por cá, a apresentação à imprensa decorreu em Lisboa, no Museu Nacional de Arqueologia -, este projecto junta quase mil anos de História numa plataforma com sínteses explicativas e fichas de 1235 objectos, monumentos e sítios de 14 países da Europa, Norte de África e Médio Oriente. Ou seja, 35 monumentos e 50 objectos de cada país.

Disponível em oito línguas, incluindo o português, e dividido em 18 exposições virtuais (Portugal participou em duas, como se explica na caixa ao lado) , o site www.discoverislamicart.org tem uma linguagem acessível a toda a gente mas cientificamente validada por especialistas. E permite aceder a bases de dados.

3,365 milhões de euros

Concebido pela Museum With No Frontiers/Museu Sem Fronteiras (ONG criada em 1994, que há dois anos lançou na Net o "Museu Virtual"), o projecto foi desenvolvido nos últimos dez anos e custou 3,365 milhões de euros, 80% dos quais pagos por fundos comunitários do programa Euromed Heritage - que, desde 1996, já investiu 60 milhões de euros no património do Mediterrâneo.

Além de uma participação financeira da Fundação Gulbenkian, os restantes 20% do orçamento foram angariados pelos 17 museus-parceiros (que pagam uma quota anual de tês mil euros) e entidades associadas.

Este museu online abarca cidadelas, palácios e casbahs, moedas, tapetes, jóias, caligrafia ou cerâmica desde o início do Islão, no século VII, até 1922, ano em que a instauração da república da Turquia pôs fim ao Império Otomano e ao último dos califas.

"À Descoberta da Arte Islâmica" - título também do livro que acompanha as exposições virtuais, editado pela Inapa -, não só cruza com factos da época a história de várias dinastias (como as dos omeias, abássidas, ayyubidas e mamelucos), como explica a fusão de estilos artísticos. Ao contrário do que muitos pensam, a arte islâmica também representa figuras humanas. E nas arquitecturas românica e gótica há abóbadas islâmicas, lembrou o arqueólogo Cláudio Torres, director do Museu de Mértola e coordenador científico do projecto em Portugal.

"Pela primeira vez, os especialistas foram confrontados com outra visão sobre os objectos", salientou Cristina Correia, vice-presidente da Museu Sem Fronteiras.

Complementar às colecções exibidas nos museus de pedra e cal - o objectivo é "abrir novas possibilidades de contacto com estes objectos", defendeu Luís Raposo, director do MNA -, este museu online funciona ainda como ponte para o diálogo.

Cláudio Torres, recordando que "os grandes museus ocidentais foram feitos com o saque", classifica mesmo a iniciativa como "decisiva para um futuro próximo", face ao cenário político mundial. Por outras palavras: "O Islão não pode ser descolado da civilização greco-romana."

O site é http://www.discoverislamicart.org/exhibitions/ISL/


Texto: Paula Lobo
in Diário de Notícias | 20 de Abril de 2007
http://ecultura.sapo.pt

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