17
Jun 07


Surgiram 99 competidores do mundo árabe contra Super-Homem e Homem-Aranha. São os protagonistas de "The 99", o primeiro 'comic book' sobre a cultura muçulmana", disse o seu editor, Tarek Housini.

Publicado em árabe e em inglês e com uma periodicidade mensal, esta banda desenhada pretende transmitir a "todas as crianças do Mundo, não apenas aos muçulmanos, os valores morais do Islão e da sua cultura", explicou Housini.

Cada super-herói - geralmente com traços físicos árabes - representa um dos 99 atributos divinos que caracterizam Alá. "Por exemplo, um dos personagens é Noura, que significa luz, um dos atributos de Deus", explica o editor, acrescentando que, "por este motivo, ele inspira cada pessoa a encontrar a sua paz interior".

A trama remonta ao século XIII, quando os mongóis invadiram Bagdad para destruir a civilização árabe. Para preservar o conhecimento, criaram-se 99 pedras preciosas que albergam todo esse saber árabe e foram levadas para o lugar mais remoto do Império o reino de Granada, em Al Andalus. Daí que "Espanha seja uma peça-chave deste 'comic'", diz o editor e director-geral da "Teshkeel, no Egipto.

Contudo, esta não é uma BD exclusiva para muçulmanos "Falamos de valores do cristianismo e do judaísmo, porque são conceitos humanos", adianta Housini. Por isso, os 99 não são apenas de países árabes, mas também norte-americanos, canadianos e portugueses", rematou.

Lançado no Kwait com uma tiragem de 25 mil exemplares, a versão em papel de "The 99" é distribuída em 12 países árabes desde meados de 2006 e está previsto que chegue ao Reino Unido e aos Estados Unidos em breve.

"The 99" conta ainda com a versão da Internet disponível na página www.the99.org.


site: www.the99.org
Preview: http://www.the99.org/contn/comics/the99preview/?p=1

fonte: Jornal de Notícias

30
Abr 07
"A ignorância sobre os outros não precisa de ser combatida com pás e picaretas"

    Um episódio marcante na minha experiência enquanto muçulmana e na relação com outros muçulmanos aconteceu enquanto estudante de Árabe na American University of Cairo. Num período em que a fractura sectária entre o povo sunita egípcio e os fatimidas xiitas ismailis ainda não se exprimira no recém-inaugurado Parque Al-Azhar, um gesto conjunto da construção de um projecto de desenvolvimento social e económico, de beleza e nobreza paisagística, fazendo da maior lixeira intratável da cidade uma área urbana bela e cobiçada, foi-me aconselhado não revelar a minha identidade religiosa.

    Contudo, dois meses longe da família e da comunidade trazem-nos às vezes renovados sentimentos de comunitarismo. Assim, numa tarde em que despertei de uma sesta sob o calor do Verão intenso e que fui lavar a cara, uma muçulmana perguntou-me se me preparava para a oração da tarde. Não sendo minha tradição a prática da oração da tarde em congregação, não achei mal. Aliás, achei até que seria um bom motivo para estreitarmos os nossos laços de fé. O resultado deste possível "encontro" foi desastroso para mim e frustrante e confuso para a jovem muçulmana. Tudo correu mal do ponto de vista das formalidades práticas. Fiz as abluções no "sentido inverso" de como "se devia"; os membros foram lavados na ordem trocada; o lenço que usei não era o mais apropriado; os braços descobertos... requeriam um; e, no fim de tudo, quando me prostrei e pedi auxílio ao todo-poderoso para me acompanhar generosa e benevolentemente naquele que era o dia mais difícil para mim como crente, o meu vestido da Dorothy Perkins, que era o mais comprido que havia para trazer para estas bandas do pudor, abriu-se no meio das pernas deixando ver as minhas pecaminosas coxas! Depois de todo este desaire, a moça perguntou a uma colega de curso, que era tão ismailita quanto eu, há quanto tempo me tinha convertido ao Islão.

    Lamentei que naquele dia nada lhe tivesse contado sobre as maravilhas que encontro nos meus cânticos devocionais muçulmanos de origem indiana, ou das danças e músicas afro-indianas que celebramos em épocas festivas. Lamento ainda que o nosso conhecimento se tenha resumido a preconceitos. Que a ignorância tenha fechado o caminho a uma descoberta fantástica sobre o outro, que afinal é igualmente muçulmano.

    Sempre que me refiro à ignorância que temos uns sobre os outros e às consequências negativas que o desconhecimento pode trazer na relação conflitual entre povos e nações, refiro-me não apenas ao que não se conhece sobre os muçulmanos, da sua história ao seu desenvolvimento civilizacional, mas sugiro aos próprios muçulmanos que fujam à tendência para a homogeneização e hegemonia da fé islâmica, excluindo toda a dimensão cultural que a fé comporta. Todo e qualquer muçulmano deve ser igual ao outro apesar da magnitude de experiências de vida e de
expressões de fé que embelezam, mais do que enfraquecem, a dimensão da vida religiosa enquanto vivida por humanos, tão diferentes como criativos na adoração ao divino.

    É esta ignorância que está na base de muitos dos actuais conflitos civilizacionais e que devemos corrigir nos nossos quotidianos - os muçulmanos sobre os outros muçulmanos, e o resto da sociedade sobre todos os que nelas estejam representados.

    Dito isto, há trabalho a fazer. A educação e de base nas escolas, mesmo laicas no nosso contexto, não deveriam excluir a possibilidade de oferecer um curriculum escolar onde a história das grandes civilizações se fizesse conhecer. Pasmo quando percebo a quantidade de interesses sobre o mundo do conhecimento que fica fora do universo escolar, dos desenvolvimentos teológicos às culturas, da filosofia às ciências, das artes, da arquitectura, da engenharia à linguística ou à história das ideias. Depois, quando os problemas do desconhecimento se levantam, e os conflitos emergem, esperamos que venha o chefe espiritual daquela gente dizer algo que os desculpe, quando, a julgar pela minha própria experiência, não sei que "chefe" pode justificar o quê num Islão tão plural e diverso como é aquele que existe hoje e desde sempre.

    A ignorância sobre os outros não precisa de ser combatida com pás e picaretas, nem fazendo escavações arqueológicas. Estas são úteis, e por isso louvo o excelente trabalho que Cláudio Torres e a sua equipa vão fazendo em Mértola e hoje exibem no museu on line anunciado pelo próprio PÚBLICO ( www.discoverislamicart.org ). Lá pelo menos podemos conceber a tal Europa de que falava Frei Bento, que não precisa de ser necessariamente um clube cristão, mas que enaltece as suas raízes não apenas judaico-cristãs, mas também as islâmicas, para além de outras. Nesta linha ideológica, também Parma, a capital italiana da Música, acolheu colecções e mostras de manuscritos e música raras do Museu Aga Khan ( www.akdn.org ) onde a fé e a cultura estão intimamente ligadas, e onde os crentes continuam integrados e não excluídos ou alienados da sua identidade.

    Para se combater a ignorância há que procurar conhecer. Há que fazer uma caminhada humilde no reconhecimento da importância do outro na formação de cada um de nós. Há que, sobretudo, escolher a literatura e as fontes, pois, como alertava Pacheco Pereira sobre a boa e a má literatura, os bons e os maus blogues, comparando--os aos quiosques e às leituras que elas disponibilizam, cabe-nos a nós escolher o que queremos ler, ver, ouvir e pesquisar.

    O mesmo se aplica às universidades ou aos orientadores que escolhemos. Há os que estão aí para passar os diplomas que passam a irreal e distorcida hegemonia e monolitismo do Islão, seja em instituições públicas ou privadas, e há os que estão aí para realmente ajudar a conhecer mais e melhor e de forma fiável porque também criticam e são rigorosos.

    O teologismo do Islão não responde a todos os desafios que as comunidades de crentes nos colocam, e muito menos oferecem respostas a situações político-económicas de estratégia internacional - para estas temos de procurar as explicações mais razoáveis e de sensatez política. No entanto, a criatividade interpretativa a que o próprio Alcorão inspira, e a leitura diversificada das suas comunidades interpretativas deixam-nos mergulhar nas profundezas de um saber que perpassa o tempo, recorda a história e aviva as memórias da convivência humana e da construção de uma ética e estética de inspiração civilizacional. Pelo que, do que precisamos mesmo, nos dias que correm, é de criar diálogos críticos sobre o conhecimento.


Estudiosa de temas islâmicos
Faranaz Keshavjee
Público, 30.04.2007

23
Mar 07

Abu Al Hasan Ali Bin Sahl Rabban Al Tabari

 

Al Tabari

 

Este Hakim era o tutor do médico Zakariya Al Razi, a sorte favoreceu o seu discípulo, mais do que o professor nos termos de celebridade, em comparação a Razi os povos sabem muito pouco sobre seu professor Ali.

O sobrenome de Rabban mais conhecido como Ali era Abu Al Hasan, o seu nome completa era Abu Al Hasan Ali Bin Sahl Rabban Al Tabari, nasceu em 838, seu pai Sahl era de uma respeitável família judia.

O notabilidade e a simpatia inerentes em sua natureza, fez com que ele conquistasse um grande respeito entre os seus compatriotas, sendo que assim começaram a lhe chamar de Rabban que significa " meu líder ".

Profissionalmente seu pai Sahl era um médico extremamente bem sucedido, foi um especialista na arte da caligrafia, além disso teve uma contribuição profunda nas disciplinas da astronomia, da filosofia, da matemática e da literatura.

Alguns artigos do livro Al Mijasti de Batlemus vieram a ser resolvidos, com a perícia dos estudos de Sahl, tradutores que o precedem, ainda não tinham resolvido o mistério.

Al Tabari recebeu sua instrução nas disciplinas da ciência e da caligrafia, e os ensinos da medicina, aprendeu de seu pai Sahl, sendo que desta maneira alcançou a perfeição nestes campos, tinha o domínio a língua Síria e da Grega, o que o ajudou a aumentar ainda mais os seus conhecimentos.

Al Tabari descendia de uma família de Israelitas, desde que abraçou o Islam, é classificado como um dos maiores cientistas da história do Islam.

Uma de suas obras Firdous Al Hikmat, está divido em sete partes, Firdous Al Hikmat é a primeira enciclopédia, em que um médico incorpora todas as filiais da ciência médica em suas páginas.

Este trabalho foi publicado somente neste século (XX), antes desta publicação somente cinco de seus manuscritos, eram encontrados dispersadamente nas bibliotecas do mundo.

O Dr. Muhammad Zubair Siddiqui comparou e editou os manuscritos, em seu prefácio forneceu informações extremamente úteis a respeito do livro e as notas do autor.

Mais tarde este trabalho original foi publicado com a cooperação de instituições inglesas e alemãs.

A seguir a obra de Al Tabari em sete partes:

1. Parte: Kulliyat-i-Tibb; esta parte joga a luz da ideologia contemporânea da ciência médica, foram estes princípios que deram forma à base da ciência médica.
2. Parte: Elucidação dos órgãos do corpo humano, regras para manter uma boa saúde, e um trabalho clínico detalhado de determinadas doenças musculares.
3. Parte três: Descrição do exame da dieta a ser feita em condições de saúde e de doença.
4. Parte: Todas as doenças da cabeça aos pés. Esta parte é de um significado profundo, o livro inteiro esta dividido em 12 partes:

  1. causas gerais que relacionam-se a erupção das doenças;
  2. doenças da cabeça e as doenças do cérebro;
  3. doenças relacionadas ao olho, ao nariz, a orelha, a boca e aos dentes;
  4. doenças musculares, paralisia e espasmo;
  5. doenças das regiões da caixa torácica, da garganta e dos pulmões;
  6. doenças do abdômen;
  7. doenças do fígado
  8. doenças dos rins e do coração.
  9. doenças intestinais;
  10. tipos diferentes de febre;
  11. doenças variadas; explanação breve dos órgãos e do exame do corpo humano
  12. doenças do pulso e da urina, esta parte é a maior do livro e compreende quase que a metade do livro.

5. Parte: Descrição do sabor, do gosto e da cor.
6. Parte: Drogas e venenos.
7. Parte sete: Sobre tópicos diversos, discute o clima e a astronomia, contém também uma breve menção sobre a medicina Indiana.

Embora tenha escrito Firdous Al Hikmat em árabe, ele também traduziu-o simultaneamente em Sírio.

Há outras duas mais compilações suas, Din-u-Doulat e Hifdh Al Sihhat, este último está disponível em um manuscrito na biblioteca da universidade de Oxford.

Além da ciência médica, era também um mestre da filosofia, da matemática e da astronomia, Al Tabari morreu por volta de 870.


15
Jan 07
Salams,
Este é um tema totalmente dedicado á descoberta do islão, o que devemos fazer, e como devemos proceder.



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