O número total de peregrinos, este ano, ainda não foi anunciado, mas de acordo com a agência noticiosa oficial saudita SPA, perto de 1,7 milhões de fiéis viajaram para a Arábia Saudita do estrangeiro e cerca de 200 mil sauditas participam geralmente na peregrinação.
Os homens vestem duas peças de tecido branco não cosido e as mulheres estão totalmente cobertas, à excepção da cara e das mãos.
O caminho é feito através de estradas e túneis preparados para receber os fiéis. Em Mina deverão passar o dia também em oração e dormir em tendas, antes da segunda etapa do Hadj, terça-feira, no monte Arafat.
Lugar de grande risco, Mina foi palco, em Julho de 1990, de um movimento de pânico durante o qual 1.426 peregrinos, na maioria de origem asiática, morreram asfixiados num túnel, aparentemente na sequência de uma avaria do sistema de ventilação.
A SPA afirmou que as forças de segurança controlavam e guiavam os fiéis e que importantes meios de assistência médica estavam de prevenção.
Na madrugada de terça-feira, a multidão seguirá para o monte Arafat, também chamado Monte da Misericórdia. No alto desta colina, permanecerão muito tempo em oração e a pedir o perdão de Deus.
Este momento simboliza a espera do juízo final e é o principal do Hadj.
Em seguida regressarão a Mina para sacrificar um animal, normalmente um carneiro, em memória do pediu que Deus fez a Abraão, para que sacrificasse o filho. Este ritual marca o início da festa de Al-Adha, que este ano se comemora quarta-feira.
O rei Abdallah da Arábia convidou este ano o Presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, que hoje chegou à cidade santa de Medina.
"Durante esta viagem, além da peregrinação santa, manterei encontros com responsáveis", disse Ahmadinejad à televisão oficial iraniana antes da sua partida. Acrescentou que se reunirá também "com a grande comunidade muçulmana presente na peregrinação".
Esta é a primeira participação oficial de um Presidente do Irão na peregrinação.
O Irão, de maioria xiita, e a Arábia Saudita, de maioria sunita, tentam há já alguns anos reforçar as relações bilaterais.
O relacionamento entre os dois países ficou marcado pelo drama de Julho de 1987, quando 402 peregrinos, entre os quais 275 iranianos - de acordo com um balanço oficial - foram mortos na Meca.
As forças de segurança sauditas intervieram numa manifestação de peregrinos iranianos contra os Estados Unidos e Israel. Para Riade, a peregrinação não deve servir de fórum político.
O Irão encontrava-se então em plena guerra contra o Iraque, que era apoiado pelas monarquias do Golfo, entre os quais o reino saudita.
Mas desde o início dos anos 1990, os dois "pesos pesados" da região aproximaram-se, tentando trabalhar em conjunto nestes últimos meses para solucionar a crise no Líbano e ajudar a restabelecer a estabilidade no Iraque.
O Hadj é um dos cinco pilares do Islão que todo o muçulmano deve cumprir, pelo menos, uma vez na vida se tiver meios para isso, de acordo com o Alcorão.
Mais info:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/vida/20071217Peregrinacao+a+Meca+sob+forte+vigilancia.htm


